MEI: pesquisa aponta otimismo com novas regras para 2027
Mais da metade dos microempreendedores individuais (MEIs) brasileiros acredita que o aumento do limite de faturamento e a possibilidade de contratar até dois funcionários terão impacto positivo nos negócios. É o que mostra a Sondagem Econômica MEI, realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
Segundo o levantamento, 51% dos entrevistados avaliam positivamente as mudanças. A pesquisa foi realizada em julho de 2026, antes da aprovação no Congresso Nacional e da sanção das medidas, e ouviu cerca de 2 mil microempreendedores de todas as regiões do país.
As alterações integram o Prospera MEI, pacote de medidas sancionado em 21 de outubro que prevê a ampliação gradual do teto de faturamento anual e a possibilidade de contratação de um segundo empregado. As novas regras estão previstas para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2027.
Entre os entrevistados, 61% afirmaram que o aumento do teto permitiria crescer mantendo o enquadramento como MEI. Outros 43% disseram que a mudança possibilitaria continuar atuando nessa categoria.
As respostas não são excludentes, pois os participantes puderam indicar mais de uma alternativa. Os resultados sugerem que a ampliação do limite é vista tanto como uma oportunidade de expansão quanto como uma forma de permanecer no regime simplificado por mais tempo.
Atualmente, o limite anual de receita bruta do MEI é de R$ 81 mil. Com a nova legislação, o teto passará para R$ 110 mil em 2027 e chegará a R$ 140 mil em 2028.
A mudança amplia a margem para o empreendedor aumentar as vendas e prestar mais serviços sem ultrapassar o limite de faturamento da categoria. O teto, porém, considera a receita bruta do negócio, e não o lucro obtido.
A pesquisa também identificou interesse em ampliar as equipes. Quatro em cada dez entrevistados afirmaram que poderiam contratar mais um funcionário caso as mudanças fossem aprovadas.
Desse total, 11% disseram que contratariam com certeza nos 12 meses seguintes, enquanto 31% considerariam a possibilidade no futuro. Os percentuais indicam intenção ou disposição para contratar, não necessariamente admissões já planejadas ou garantidas.
A indústria apresentou o maior nível de interesse em novas contratações, com 45% dos MEIs do setor considerando essa possibilidade. No comércio e nos serviços, o percentual foi de 42% em cada segmento.
Entre as regiões brasileiras, o Nordeste registrou a maior proporção de microempreendedores que consideram contratar mais um trabalhador: 45%.
Nesse grupo, 14% afirmaram que fariam a contratação com certeza em até 12 meses, enquanto 31% disseram que avaliariam a possibilidade no futuro.
Os dados apontam para uma perspectiva de ampliação dos negócios e da geração de empregos entre parte dos MEIs nordestinos, embora a efetivação das contratações dependa das condições financeiras e das necessidades de cada empresa.
Além da ampliação do limite de faturamento, a nova legislação permitirá que o microempreendedor individual contrate até dois empregados, desde que sejam remunerados com um salário mínimo ou o piso salarial da categoria profissional, conforme as regras aplicáveis.
Atualmente, o MEI pode manter apenas um funcionário. A possibilidade de contratar um segundo trabalhador pode ajudar negócios que precisam ampliar a capacidade de atendimento ou dividir tarefas para acompanhar o crescimento da demanda.
As mudanças, contudo, não eliminam a necessidade de planejamento financeiro. Antes de aumentar a equipe ou ampliar a operação, o empreendedor deve avaliar os custos de contratação, os encargos trabalhistas, o fluxo de caixa e a previsão de receitas.
Com o novo teto e a possibilidade de contratar mais um empregado, o MEI passa a ter mais espaço para expandir suas atividades sem deixar imediatamente o enquadramento. A pesquisa do Sebrae e da FGV mostra que parte expressiva da categoria vê as alterações com otimismo, mas a concretização desse potencial dependerá das condições de cada negócio.
Com informações da Agência Sebrae
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Publicado por
Jornalista
Fonte: Sâmara Azevedo