Postagem Única da Notícia

Taxa das blusinhas: comissão pode votar MP nesta segunda (31)

A Medida Provisória nº 1.357/2026, que zerou o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50, entra nesta segunda-feira (31) em uma etapa decisiva no Congresso Nacional.

A comissão mista responsável pela análise da chamada “taxa das blusinhas” está convocada para as 16h, quando deverá apreciar o relatório da senadora Leila Barros (PDT-DF). A pauta oficial da reunião prevê a leitura, discussão e possível votação do parecer.

O avanço ocorre sob forte pressão de prazo. A MP perde validade em 8 de setembro caso não seja aprovada pelo Congresso, o que deixa poucos dias para que o texto passe pela comissão mista e, depois, seja analisado pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Confira a tramitação da MP nº 1.357/2026 no Congresso Nacional

A comissão mista foi efetivamente organizada na última sexta-feira (28), quando o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) foi escolhido presidente do colegiado.

Na mesma ocasião, a senadora Leila Barros (PDT-DF) foi designada relatora da medida. Ela informou que apresentaria seu parecer nesta segunda-feira e demonstrou posição inicialmente favorável ao texto encaminhado pelo governo.

Apesar da sinalização favorável, a parlamentar afirmou que pretende ouvir os setores envolvidos antes da conclusão da análise e não descartou mudanças durante as negociações no Congresso.

Esse ponto será importante na reunião desta segunda-feira porque eventuais alterações feitas pela relatora poderão mudar não apenas a tributação das compras de até US$ 50, mas também outros dispositivos incluídos na medida provisória.

A MP nº 1.357/2026 foi publicada em maio e alterou o Decreto-Lei nº 1.804/1980, que disciplina a tributação simplificada das remessas postais internacionais.

A norma autorizou o ministro da Fazenda a modificar as alíquotas do Imposto de Importação incidentes nessas operações.

Pelo texto, a alíquota pode ser reduzida a zero para remessas de até US$ 50 e chegar a até 30% nas faixas de valor de até US$ 3 mil, conforme regulamentação.

Na prática, a medida suspendeu a cobrança federal de 20% que vinha incidindo sobre compras internacionais de pequeno valor.

A mudança ficou popularmente conhecida como o fim da “taxa das blusinhas”.

A alíquota zero prevista pela MP envolve o Imposto de Importação federal.

Isso não significa que as compras internacionais de até US$ 50 estejam totalmente livres de tributação.

O ICMS cobrado pelos estados continua incidindo, conforme as regras aplicáveis às importações realizadas por meio das plataformas de comércio eletrônico.

Por isso, mesmo que o Congresso mantenha definitivamente a desoneração federal, o consumidor continuará sujeito à tributação estadual correspondente.

A reunião da comissão mista está marcada para às 16h, no Senado Federal.

Segundo a pauta oficial, a finalidade é a apreciação do relatório da senadora Leila Barros.

A partir daí, há alguns cenários possíveis.

Se houver acordo entre os parlamentares, o parecer pode ser discutido e votado ainda nesta segunda-feira.

Também pode haver pedido de vista, adiamento, novas negociações ou modificações no texto antes da votação.

A própria relatora indicou que pretende dialogar com diferentes setores antes de fechar sua posição definitiva, apesar de considerar positivo o texto original encaminhado pelo Executivo.

Mesmo que o relatório seja aprovado pela comissão mista nesta segunda-feira (31), a MP ainda terá um caminho curto e apertado pela frente.

O texto precisa passar pelo plenário da Câmara dos Deputados e, depois, pelo Senado Federal.

Caso os senadores façam alterações no texto aprovado pelos deputados, a proposta pode precisar retornar à Câmara, aumentando a pressão sobre o calendário.

O Congresso pretende aproveitar o período de esforço concentrado entre 31 de agosto e 4 de setembro para avançar na votação da medida antes do vencimento do prazo.

A data mais importante da tramitação é 8 de setembro de 2026.

Se o Congresso não concluir a análise até lá, a medida provisória perde eficácia.

Nesse cenário, a alteração promovida pela MP deixa de valer e a cobrança federal anterior sobre as compras internacionais de pequeno valor poderá retornar.

Esse risco é justamente o que acelerou a movimentação do Congresso nos últimos dias.

O Portal Contábeis já mostrou na última sexta-feira (28) que a análise da MP foi antecipada diante do curto calendário legislativo.

Fonte: Juliana Moratto

WhatsApp