Golpes usam anúncios falsos para renegociar dívidas
Pessoas que procuram alternativas para renegociar dívidas estão sendo alvo de anúncios e e-mails falsos usados por criminosos para aplicar golpes. O alerta foi feito pelo Ministério da Fazenda na última sexta-feira (7), que orienta os consumidores a verificar cuidadosamente a origem das ofertas antes de fornecer dados pessoais ou realizar pagamentos.
A dimensão do problema foi identificada em levantamento do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab/UFRJ). Entre 1º de abril e 14 de junho, foram encontrados 544 anúncios fraudulentos nas plataformas da Meta.
Do total, 38% foram produzidos com o uso de inteligência artificial, recurso que pode ser utilizado pelos criminosos para criar imagens, vídeos e outros materiais com aparência profissional e aumentar a credibilidade das falsas ofertas.
O estudo do NetLab/UFRJ identificou ainda que 49% dos anúncios faziam referência ao suposto programa “Libera Brasil”, que não existe.
Outra estratégia utilizada pelos golpistas foi associar as falsas ofertas a instituições conhecidas. Segundo o levantamento, 72% dos anúncios utilizavam indevidamente o nome e a imagem do Governo do Brasil ou de marcas conhecidas dos setores financeiro e de comunicação.
A utilização dessas referências busca fazer com que o consumidor acredite que está diante de uma iniciativa oficial ou de uma empresa legítima.
O Ministério da Fazenda reforça que criminosos podem utilizar nomes, logotipos e elementos visuais semelhantes aos de órgãos públicos para criar páginas fraudulentas e convencer as vítimas a fornecer informações ou realizar pagamentos.
Os criminosos utilizam anúncios exibidos em mecanismos de busca e redes sociais para alcançar pessoas interessadas em renegociar dívidas.
Ao clicar no anúncio, o consumidor pode ser direcionado para um site falso que imita uma página oficial. Nesses ambientes, podem ser solicitados dados pessoais, informações bancárias ou pagamentos para supostamente liberar uma negociação.
Também há casos em que a abordagem ocorre por meio de e-mails fraudulentos, que apresentam uma suposta dívida ou oferecem descontos para estimular a vítima a acessar um link.
A partir do contato, os criminosos podem tentar obter informações ou induzir a pessoa a fazer transferências e outros pagamentos.
O levantamento do NetLab/UFRJ chama atenção para o uso de inteligência artificial na produção dos anúncios fraudulentos.
Com a tecnologia, criminosos conseguem produzir conteúdos com maior qualidade visual e criar peças que simulam comunicações de empresas ou órgãos públicos.
Isso aumenta a necessidade de verificar a informação por outros meios. Uma página com aparência profissional ou um anúncio que utiliza a imagem de uma instituição conhecida não significa que a oferta seja verdadeira.
Por isso, o Ministério da Fazenda recomenda que o cidadão não utilize links recebidos em anúncios, e-mails ou mensagens como porta de entrada para uma negociação.
Antes de fornecer informações ou realizar qualquer pagamento, o consumidor deve observar alguns sinais:
Outro cuidado é observar o endereço do site. Páginas fraudulentas podem utilizar nomes semelhantes aos de órgãos públicos ou empresas conhecidas, mas apresentar domínios diferentes ou alterações na grafia.
Caso o consumidor tenha realizado um pagamento ou fornecido informações a criminosos, a recomendação é procurar imediatamente a instituição financeira envolvida para comunicar a fraude e verificar as possibilidades de bloqueio ou recuperação dos valores.
Também é importante registrar um boletim de ocorrência e guardar provas da fraude, como mensagens, e-mails, comprovantes de pagamento, endereços dos sites acessados e capturas de tela.
Se dados pessoais ou bancários tiverem sido compartilhados, o consumidor deve permanecer atento a novas tentativas de fraude.
O alerta do Ministério da Fazenda ocorre em um cenário no qual criminosos utilizam o interesse dos consumidores em quitar ou renegociar dívidas para criar falsas oportunidades.
A recomendação é que a pessoa não acesse programas de renegociação por meio de anúncios ou links recebidos por terceiros. O mais seguro é procurar diretamente o site oficial do órgão ou da instituição responsável e conferir se a negociação realmente existe.
A atenção é especialmente importante diante do uso de inteligência artificial e da apropriação indevida de marcas conhecidas. Como mostram os dados do NetLab/UFRJ, a aparência de legitimidade é uma das principais ferramentas utilizadas para atrair potenciais vítimas.
Com informações da Agência Gov
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Jornalista
Fonte: Sâmara Azevedo