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MP libera R$ 547 mi para segurados do INSS

Foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na semana passada, dia 20 de julho, a Medida Provisória nº 1.378 que abre um crédito extraordinário no valor de R$ 547 milhões em favor do Ministério da Previdência Social e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O valor é destinado exclusivamente à ação de ressarcimento aos beneficiários do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) afetados por descontos associativos indevidos.

Mas por que a Medida Provisória foi editada? O procedimento acontece em razão de recentes desdobramentos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em abril de 2026, o STF ampliou o alcance do acordo homologado no âmbito na ação judicial ADPF 1.236/DF, vinculada às apurações da Operação "Sem Desconto".

No ano passado, o Governo havia aberto um crédito extraordinário inicial de R$ 3,31 bilhões pela MP 1.306/2025. No entanto, essa medida provisória perdeu a vigência em novembro de 2025 sem ser convertida em lei pelo Congresso Nacional, deixando a ação sem dotação orçamentária na Lei Orçamentária Anual de 2026.

A nova determinação do STF fixou que, nas hipóteses em que o segurado contestar a resposta enviada pela entidade associativa, o pagamento administrativo do ressarcimento deverá ocorrer sob a presunção de boa-fé do beneficiário, sem exigência de etapas intermediárias burocráticas.

Diante do novo fluxo administrativo e do volume de devoluções pendentes, o INSS identificou a necessidade adicional de R$ 547 milhões para honrar os pagamentos de verbas que possuem inequívoco caráter alimentar.

No tocante à origem dos recursos alocados para o pagamento dos aposentados e pensionistas não decorrem de novas dívidas, mas sim do aproveitamento do “superávit financeiro” apurado no Balanço Patrimonial de 2025, portanto, trata-se de recursos próprios da Unidade Orçamentária destinados à Seguridade Social.

As irregularidades envolvendo mensalidades associativas não autorizadas na folha de pagamento do INSS ganharam grande repercussão, inclusive motivando a CPMI do INSS, realizada entre agosto de 2025 e março de 2026 no Congresso Nacional.

Em números desse processo de devolução, observa-se que até junho de 2026, mais de R$ 3,2 bilhões já haviam sido ressarcidos e cerca de 4,7 milhões de segurados foram contemplados até a referida data.

Aspectos práticos para os contribuintes, vale destacar que (i) a adesão do segurado ao acordo administrativo para recebimento dos valores não o impede de ajuizar ação judicial contra a União e o INSS, caso o pagamento administrativo não venha a ocorrer, e ainda (ii) cadastramento dos pedidos de contestação e ressarcimento exigiu solicitação prévia via aplicativo/portal Meu INSS até o limite de prazos operacionais estabelecidos.

Embora a Medida Provisória já esteja produzindo efeitos práticos e liberando os pagamentos, ela precisa passar pela apreciação do Congresso Nacional, pode ocorrer apresentação de Emenda pelos senadores e deputados que até 10 de agosto de 2026 podem propor sugestões ao texto da MP. A referida medida provisória vigora por 60 dias, prorrogáveis por igual período. Caso não seja convertida em lei, caberá ao Congresso disciplinar seus efeitos por Decreto Legislativo.

De todo a medida garante a continuidade e a agilidade nas devoluções administrativas de descontos indevidos, valendo aos contribuintes se manterem informados e acompanhar o extrato de pagamento de benefício no portal Meu INSS para checar o lançamento das devoluções.

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Doutoranda em Direito do Trabalho pela USP, Mestre em Direito Previdenciário pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) e Bacharel em Direito pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul. Professora convidada no curso de pós-graduação em Direito do Trabalho na Fundação Instituto de Ensino para Osasco (Unifieo), membro associada do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário e do Núcleo de Memória dos Direitos Humanos da OAB/SP. Sócia responsável pela área de Direito do Trabalho e previdenciário (benefícios) do TSA.

Fonte: Karina Alves

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