Reforma Tributária: preparação tecnológica essencial para ERPs
Especialistas afirmam que a preparação envolve revisão dos ERPs, dos processos financeiros e da arquitetura tecnológica para suportar a transição até 2033.
A Reforma Tributária deixou de ser um desafio restrito às áreas fiscal e tributária para se tornar um dos maiores projetos de transformação tecnológica das empresas brasileiras. Segundo a Softtek, a necessidade de adaptar ERPs, integrar novos processos fiscais e preparar o ambiente para o Split Payment fará da modernização dos sistemas corporativos uma prioridade estratégica nos próximos anos.
A implementação do IVA Dual — composto pela CBS (federal), IBS (estadual e municipal) e Imposto Seletivo — inaugura uma transição que obrigará as organizações a operar simultaneamente dois regimes tributários até 2033. Na prática, isso significa que plataformas como o SAP precisarão processar, calcular, contabilizar e reportar duas lógicas fiscais ao mesmo tempo, elevando significativamente a complexidade tecnológica das operações.
"Não estamos falando apenas de uma atualização tributária. A Reforma exige que o ERP passe a suportar novos fluxos financeiros, regras de negócio, integrações e modelos de cálculo. É uma mudança estrutural na arquitetura das empresas", afirma Victor Hugo Coutinho, Arquiteto de Soluções e Gerente de Ofertas SAP da Softtek Brasil.
Entre as mudanças mais relevantes está o Split Payment, previsto para entrar em vigor de forma facultativa a partir de 2027. O mecanismo altera a dinâmica da liquidação financeira ao permitir que os valores de IBS e CBS sejam separados no momento do pagamento da operação.
Essa nova lógica impacta diretamente contas a pagar e receber, conciliação financeira, meios de pagamento, interfaces bancárias, processos de faturamento e integrações entre ERP, bancos e plataformas de gestão.
"Não basta recalcular impostos na nota fiscal. As empresas precisarão revisar processos de tesouraria, automações financeiras e a forma como o dinheiro circula dentro da operação", explica Coutinho.
Para organizações que utilizam SAP, os impactos vão muito além das parametrizações fiscais. A Reforma Tributária exige revisão de cadastros mestres, classificação fiscal de produtos, processos de compras, vendas, faturamento, apuração tributária e integrações com aplicações legadas e sistemas da administração pública.
Ao mesmo tempo, a descontinuação do SAP GRC NF-e acelera a necessidade de migração para o SAP DRC (Document and Reporting Compliance), plataforma que passa a concentrar as atualizações relacionadas ao novo modelo tributário.
Também fazem parte da agenda tecnológica a adoção do CNPJ alfanumérico, novas estruturas de dados, adequações em tabelas críticas do ERP, reconfiguração das matrizes tributárias em FI/CO e atualização de documentos fiscais.
"Tratar esse conjunto de mudanças como pequenas adaptações de TI é um erro. Estamos diante de uma transformação que envolve tecnologia, finanças e estratégia de negócios ao mesmo tempo", afirma Coutinho.
A Softtek recomenda que as empresas iniciem imediatamente um diagnóstico de seus ambientes tecnológicos para avaliar a versão do ERP utilizada, a qualidade dos dados mestres, o nível de customizações, as integrações existentes e os impactos sobre os processos financeiros.
A preparação antecipada é considerada essencial para atender aos marcos da implementação da Reforma Tributária, como a obrigatoriedade de novos campos relacionados a IBS e CBS e a entrada em vigor da CBS em janeiro de 2027.
"O tempo para agir é agora. Quanto mais tarde as empresas iniciarem essa preparação, maior será o risco de interrupções operacionais, retrabalho e aumento dos custos de adaptação", conclui Coutinho.
Fonte: Vianews
CONBCON 2026: inscrições abertas para o Congresso Online Brasileiro de Contabilidade
Publicado por
Fonte: Anna Del Mar