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Bancos indicam adesão limitada ao Desenrola Adimplentes

O novo Desenrola Adimplentes, lançado pelo governo federal nesta segunda-feira (29), começou com adesão restrita das instituições financeiras. Até o momento, apenas a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil confirmaram que pretendem oferecer a nova modalidade de crédito, enquanto bancos privados ainda analisam as condições do programa.

Criado para atender trabalhadores que mantêm seus financiamentos em dia, mas apresentam risco de inadimplência, o programa prevê a renegociação de empréstimos pessoais com juros limitados a 1,99% ao mês, percentual significativamente inferior à taxa média atualmente praticada no mercado.

Apesar da expectativa do governo de beneficiar entre 1 milhão e 3 milhões de brasileiros, representantes do setor bancário afirmam que a adesão das instituições privadas tende a ser limitada.

Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que a adesão dependerá da estratégia individual de cada instituição financeira.

Segundo a entidade, fatores como política de crédito, avaliação de risco e viabilidade operacional serão determinantes para a oferta da nova linha aos clientes.

A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) também avaliou que o público potencial do programa é relativamente restrito, principalmente em razão das regras de elegibilidade estabelecidas pelo governo.

Além disso, a entidade destacou que a operacionalização exigirá integração entre diferentes bases de dados para identificar os trabalhadores aptos a contratar a linha de crédito.

Diferentemente da primeira fase do Desenrola, voltada para consumidores já inadimplentes, a nova modalidade busca evitar que trabalhadores com histórico de pagamentos em dia entrem em situação de inadimplência.

O programa é destinado a operações de crédito pessoal não consignado e estabelece algumas condições para participação.

Entre elas estão:

Os juros ficam limitados a 1,99% ao mês, percentual bem inferior à média de 7,15% ao mês registrada pelo Banco Central para o crédito pessoal no início de junho.

As novas operações deverão respeitar limites estabelecidos pelo programa.

A parcela do novo financiamento poderá corresponder, no máximo, a 90% do valor da prestação original, reduzindo o comprometimento mensal da renda do trabalhador.

Também será permitida a contratação de crédito adicional equivalente a até 50% do saldo devedor original, desde que a prestação permaneça dentro do limite fixado pelo programa.

O prazo da dívida também poderá ser ampliado, conforme o tempo restante do contrato original:

As operações serão garantidas pelo Fundo Garantidor de Operações (FGO), sem necessidade de novos aportes de recursos pela União.

Segundo o governo, essa estrutura permite reduzir o risco das instituições financeiras e oferecer taxas menores aos trabalhadores elegíveis.

Outra regra prevista estabelece que os participantes do programa ficarão impedidos de realizar apostas em plataformas de apostas eletrônicas ("bets") durante seis meses.

Durante o lançamento da nova modalidade, o governo também apresentou um balanço da primeira edição do Desenrola, voltada à renegociação de dívidas de consumidores inadimplentes.

Segundo os dados divulgados, cerca de 7,5 milhões de famílias renegociaram débitos, totalizando aproximadamente R$ 17,5 bilhões em dívidas renegociadas, com desconto médio de 80%.

O governo informou ainda que pretende lançar nos próximos dias uma nova iniciativa voltada aos microempreendedores individuais (MEIs).

A proposta deverá permitir renegociação de dívidas com descontos de até 70%, ampliando as medidas de recuperação financeira para pequenos negócios.

Outra medida anunciada pelo governo envolve mudanças no crédito consignado para trabalhadores do setor privado.

Com a nova regulamentação, o trabalhador poderá utilizar parte do saldo do FGTS como garantia da operação.

As regras permitem oferecer:

A expectativa do governo é que o reforço das garantias contribua para reduzir o custo do crédito consignado destinado aos empregados com carteira assinada.

Especialistas avaliam, entretanto, que a redução efetiva das taxas dependerá também do cenário econômico, especialmente do nível da taxa básica de juros, da inadimplência e do comportamento do mercado de crédito.

O Desenrola Adimplentes representa uma nova tentativa do governo de reduzir o risco de inadimplência das famílias sem ampliar os gastos públicos.

No entanto, a adesão limitada dos bancos privados poderá reduzir o alcance da iniciativa, já que a oferta da linha dependerá da avaliação de cada instituição financeira.

Para os trabalhadores que conseguirem acessar o programa, a expectativa é obter condições de financiamento mais favoráveis e maior capacidade de reorganizar o orçamento antes que as dívidas entrem em atraso.

Com informações da Folha de S. Paulo

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Editora chefe

Fonte: Juliana Moratto

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