EUA propõem novo tarifaço para produtos brasileiros
O governo dos Estados Unidos avançou em duas frentes comerciais que podem afetar produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. Após a conclusão de uma investigação contra o Brasil nesta terça-feira (2), o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre determinadas mercadorias brasileiras.
O órgão também anunciou uma nova rodada de sobretaxas envolvendo diversos parceiros comerciais dos Estados Unidos, incluindo o Brasil. Nesse caso, a proposta prevê tarifa adicional de 12,5% sobre produtos de países que, segundo o governo norte-americano, não teriam adotado ou aplicado de forma efetiva restrições à importação de mercadorias produzidas com possível trabalho forçado.
A medida mais ampla, relacionada ao combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas, prevê tarifas entre 10% e 12,5%, a depender do país. Parceiros como Canadá, México, União Europeia, Taiwan e Reino Unido foram enquadrados na alíquota de 10%. Já economias como Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Suíça aparecem no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
Segundo o USTR, a diferenciação ocorre porque a taxa menor seria aplicada a economias que já adotam proibições à importação de bens produzidos com trabalho forçado ou que assumiram compromissos nesse sentido. Os países classificados como tendo falhado na imposição e aplicação efetiva dessas restrições foram incluídos na alíquota mais elevada.
As tarifas não entram em vigor de forma imediata. A proposta ainda será submetida a um período de consulta pública e audiências antes de eventual implementação. Comentários por escrito poderão ser apresentados até 6 de julho, e audiências públicas estão previstas a partir de 7 de julho.
Além da proposta relacionada ao trabalho forçado, o Brasil também é alvo de uma investigação específica conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Nessa frente, o USTR concluiu apuração sobre práticas comerciais brasileiras e recomendou tarifa de 25% sobre uma lista de produtos, com exceções previstas para determinados itens.
A investigação trata de temas como barreiras comerciais, comércio digital, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, aplicação de normas anticorrupção e questões ambientais. A adoção das sanções, porém, também depende de etapas formais de consulta e revisão antes de eventual entrada em vigor.
Para empresas brasileiras que exportam aos Estados Unidos, as medidas ampliam o grau de incerteza sobre custos, contratos, formação de preços e competitividade no mercado externo. Caso as tarifas sejam confirmadas, produtos sujeitos às sobretaxas poderão chegar ao mercado norte-americano com preços mais elevados, afetando margens comerciais e negociações com importadores.
Embora as medidas ainda não estejam em vigor, o avanço das propostas exige atenção de exportadores, assessorias fiscais, departamentos contábeis e profissionais que atuam com comércio exterior. A eventual aplicação das tarifas pode exigir revisão de contratos, análise de classificação fiscal, reavaliação de preços e monitoramento das exceções previstas pelo governo norte-americano.
Também será necessário acompanhar quais produtos brasileiros poderão ser excluídos das sobretaxas. Entre as exceções discutidas estão itens considerados estratégicos ou sensíveis, como determinados alimentos, produtos de energia, minerais críticos, combustíveis, químicos e metais já sujeitos a outros regimes tarifários.
No caso da proposta vinculada ao trabalho forçado, setores com cadeias produtivas complexas também podem ser pressionados a reforçar controles documentais, rastreabilidade de fornecedores e comprovação de conformidade trabalhista. Esse ponto pode ganhar relevância em auditorias, contratos internacionais e exigências de compliance feitas por compradores estrangeiros.
As propostas seguirão para consulta pública e análise antes de uma decisão final. Até lá, empresas brasileiras com operações de exportação para os Estados Unidos devem acompanhar os comunicados oficiais do USTR, verificar se seus produtos estão incluídos nas listas de incidência ou exceção e avaliar possíveis impactos tributários, comerciais e contratuais.
A definição final das tarifas poderá influenciar o fluxo de exportações brasileiras, especialmente em setores com forte dependência do mercado norte-americano. Para o setor contábil, o tema deve permanecer no radar, principalmente em razão dos reflexos sobre planejamento tributário, precificação internacional, compliance trabalhista e gestão de riscos em operações de comércio exterior.
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Diretora de conteúdo
Fonte: Izabella Miranda