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CAE aprova aumento da tributação de fintechs e bets

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou nesta terça-feira (2) o Projeto de Lei 5.473/2025, que aumenta a tributação de fintechs, eleva de forma gradual a taxação das empresas de apostas de quota fixa (bets) e institui um programa de regularização tributária para pessoas físicas de baixa renda. A proposta, de autoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL), recebeu relatório favorável do senador Eduardo Braga (MDB-AM) e segue para a Câmara dos Deputados caso não haja recurso para votação em Plenário.

O texto altera dispositivos da Lei 7.689, de 1988, e promove mudanças tributárias amplas, com impactos em instituições financeiras, empresas do setor de apostas e contribuintes de menor renda. Segundo estimativas oficiais citadas durante a tramitação, o impacto fiscal projetado é de quase R$ 5 bilhões em 2026, R$ 6,3 bilhões em 2027 e R$ 6,7 bilhões em 2028.

O projeto aprovado prevê aumento escalonado da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A nova tributação de fintechs e demais entidades financeiras ocorre em duas etapas:

Essas alterações ampliam de forma significativa a tributação de fintechs, que passam a ter carga equiparada ou superior à de instituições tradicionais.

Outro eixo do projeto é o aumento gradual da Contribuição sobre a Receita Bruta de Jogo, aplicada às empresas de apostas de quota fixa.

As alíquotas ficam assim definidas:

A base de cálculo permanece sendo a receita bruta das apostas, descontado o valor pago aos apostadores como prêmio.

A nova arrecadação deverá ser destinada à seguridade social, com ênfase em ações da área de saúde. De forma excepcional, entre 2026 e 2028, a União poderá transferir parte dos valores a estados, municípios e ao Distrito Federal, como compensação por perdas relacionadas à isenção de Imposto de Renda de servidores públicos.

O texto institui o Pert-Baixa Renda, programa destinado à regularização de dívidas tributárias e não tributárias vencidas até a data de publicação da futura lei.

Poderão aderir:

As faixas de benefício variam:

A adesão implica:

O projeto também ajusta uma distorção relacionada à tributação da remessa de lucros e dividendos para beneficiários domiciliados no exterior. A proposta determina que, caso a soma do IRPJ, CSLL e do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) exceda o limite legal — geralmente 34% — o beneficiário poderá solicitar a restituição da diferença.

O pedido poderá ser feito dentro do prazo de cinco anos, conforme o Código Tributário Nacional. A alteração corrige limitação da Lei 15.270/2025, que reduzia esse prazo para 360 dias.

O relator alterou o artigo referente à vigência das regras. As mudanças seguem o seguinte cronograma:

O relatório aprovado inclui novas exigências para ampliar a fiscalização sobre movimentos financeiros de fintechs e operadores ilegais de apostas.

As medidas incluem:

O projeto cria ainda o Índice de Conformidade Regulatória em Apostas (ICRA), destinado a avaliar a aderência das empresas do setor às normas de prevenção, podendo ser utilizado como critério para concessão de benefícios ou imposição de restrições regulatórias.

Durante a reunião, o senador Eduardo Braga apresentou uma complementação ao relatório divulgado na semana anterior. Ele afirmou que o Ministério da Fazenda e a Receita Federal discordaram do texto anterior, manifestando oposição às alterações sugeridas.

Braga criticou a posição do governo federal e declarou: “Estou indignado, porque trabalhei e acreditei de boa-fé nas negociações feitas nesta comissão com o senador Renan Calheiros para viabilizar a aprovação de um projeto de larga importância para a macroeconomia brasileira.”

Ele acrescentou: “Eu não entendo por que o autor da matéria e o líder do Governo não foram consultados para saber se aquilo que estava representado naquele adendo era ou não fruto de entendimento.”

Mesmo com a divergência, o líder do Governo, senador Jaques Wagner (PT-BA), discordou da orientação da Fazenda e anunciou voto favorável ao relatório anterior de Braga, que acabou aprovado.

Wagner afirmou que “Política sem risco não existe. Eu vou aqui me colocar no risco: vou pedir ao senador Eduardo Braga que retire o adendo de hoje, mantenha o adendo da semana passada. Depois, eu pago a conta.”

A proposta aprovada pela CAE representa uma mudança significativa na tributação de fintechs, apostas esportivas e na política de regularização tributária para pessoas físicas de baixa renda. Com ajustes de alíquotas, novos mecanismos de fiscalização e regras para compensação tributária internacional, o projeto incorpora medidas de impacto fiscal e regulatório expressivo. A matéria agora segue para análise na Câmara dos Deputados.

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Publicado por

Editora chefe

Fonte: Juliana Moratto

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