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Como calcular o IVA Dual da Reforma Tributária

A Reforma Tributária institui um novo sistema de tributação sobre o consumo, substituindo diversos tributos atuais por um modelo de IVA Dual — Imposto sobre Valor Adicionado. Esse modelo é composto por dois tributos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal.

Nesse formato, o IVA da Reforma Tributária incide “por fora” do preço dos bens e serviços. O tributo é calculado e compensado ao longo de todas as etapas da cadeia produtiva — do produtor ao varejista — até chegar ao consumidor final. O sistema é baseado na não cumulatividade plena, ou seja, cada contribuinte paga apenas sobre o valor que adiciona ao produto, descontando o que já foi pago nas etapas anteriores.

O cálculo do IVA da Reforma Tributária segue uma lógica simples: em cada etapa de produção ou prestação de serviço, o contribuinte apura o imposto sobre o valor agregado à mercadoria e deduz o crédito do tributo já pago.

Dessa forma, o imposto é recolhido gradualmente em toda a cadeia, e o ônus tributário final recai sobre o consumidor, eliminando a bi-tributação e o efeito cascata.

Um exemplo prático ajuda a compreender o funcionamento:

Para ilustrar o cálculo do IVA da Reforma Tributária, considere uma cadeia produtiva simplificada com alíquota de 25%, sem regimes favorecidos:

O produtor vende cacau em grão por R$ 20,00 e adiciona o IVA de R$ 5,00, totalizando R$ 25,00. Como não houve insumos tributados, o produtor não tem crédito a descontar.

A indústria compra os grãos por R$ 25,00 (R$ 20,00 + R$ 5,00 de IVA) e vende pasta de cacau por R$ 32,00, acrescida de R$ 8,00 de IVA.

O total da venda é R$ 40,00, sendo R$ 3,00 o valor efetivamente recolhido ao Fisco após o crédito.

A fábrica adquire a pasta de cacau por R$ 40,00 e vende as barras de chocolate por R$ 60,00, com R$ 15,00 de IVA, totalizando R$ 75,00.

O imposto efetivamente pago pela fábrica é de R$ 7,00, após dedução do crédito anterior.

A loja compra o produto por R$ 75,00 (R$ 60,00 + R$ 15,00 de IVA) e revende ao consumidor por R$ 80,00, adicionando R$ 20,00 de IVA.

O valor total pago pelo cliente é R$ 100,00.

O consumidor paga R$ 80,00 pelo produto mais R$ 20,00 de IVA, totalizando R$ 100,00.

O montante de R$ 20,00 pago pelo consumidor corresponde exatamente à soma dos valores recolhidos por todos os agentes da cadeia:

Esse é o princípio central do IVA da Reforma Tributária: o imposto é pago gradualmente, de forma transparente e sem cumulatividade.

O novo modelo de IVA da Reforma Tributária exige maior controle contábil e tecnológico. As empresas precisarão registrar corretamente débitos e créditos em cada operação, garantindo que a apuração do imposto seja precisa e que os créditos fiscais sejam rastreáveis ao longo da cadeia produtiva.

Sistemas contábeis e fiscais deverão estar preparados para processar essas informações com segurança e integridade, assegurando a conformidade com o modelo de não cumulatividade plena adotado pela legislação.

Empresas que atualmente operam sob regimes especiais de tributação ou benefícios fiscais precisam acompanhar como esses regimes serão tratados na transição para o IVA da Reforma Tributária. A implementação do novo sistema poderá alterar significativamente as regras de apuração e compensação de créditos.

A legislação prevê um período de transição gradual, dividido em fases, durante o qual o sistema será regulamentado e adaptado. As normas complementares definirão prazos, parâmetros de alíquota e critérios de compensação.

Com a aplicação plena do IVA da Reforma Tributária, a tributação sobre o consumo se tornará mais transparente e visível. O preço de venda passará a evidenciar claramente a parcela correspondente aos tributos CBS e IBS, permitindo que o consumidor identifique quanto paga de imposto em cada compra.

Esse modelo visa simplificar o sistema tributário e aumentar a previsibilidade fiscal para empresas e cidadãos, reduzindo distorções e ampliando a competitividade do ambiente de negócios.

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Publicado por

Editora chefe

Fonte: Juliana Moratto

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