Como monetizar nas redes sociais

Quem vê tantos influencers nas redes sociais fazendo sucesso e ganhando milhares e até milhões de reais pode ter a ilusão de que é simples fazer isso. Afinal, rolar o feed e se deparar com alguém mostrando o dia a dia – passando uma maquiagem, falando de um jogo de videogame, mostrando um look ou contando uma história que aconteceu outro dia – soa tão rotineiro e descomplicado que provoca essa falsa impressão.
Na verdade, por trás de um influenciador que monetiza nas redes sociais há planejamento e método. Mesmo quem quer ganhar dinheiro no TikTok que, em geral, é uma rede que depende de vídeos bem-humorados e espontâneos, precisa de algum nível de programação e esforço para que eles deem resultado.
ão existe fórmula mágica e o sucesso nas redes sociais não é milagre. É, sim, fruto de esforço e trabalho. O primeiro passo para monetizar nelas é entender que não há jeito fácil de fazer isso e o dinheiro não virá de uma hora para outra. “Funciona como qualquer outro negócio e, como tal, é preciso fazer um planejamento. Pensar qual é o seu segmento e a sua especialidade. Definir o que você quer falar, como vai fazer isso, qual é a sua cara, o seu estilo. Precisa planejar para chegar lá”, afirma Rafaela Lotto, CEO da YOUPIX, consultoria de negócios para a Economia Criativa.
Na opinião de Bruno Portela, professor associado da Fundação Dom Cabral (FDC) e especialista em marketing, ganhar dinheiro nas redes sociais é uma consequência, não é o objetivo. “O objetivo é traçar estratégias corretas para o público correto, entregando valor para atingir essas pessoas. A primeira grande questão é definir seu nicho, o público-alvo e estabelecer estratégias pensando em quem quer atingir e como e, principalmente, qual será seu diferencial”, explica.
De acordo com Portela, no livro “A Cauda Longa” (Editora Elsevier), o tradicional autor de gestão Chris Anderson fala sobre a importância de mirar em um nicho. “Quanto mais específico ele for e quanto mais focada for a estratégia em termos de diferenciação, de engajamento e conexão, mais provável será atingir a monetização como consequência do trabalho”, diz.
Depois de definir sobre o que vai falar, qual será “sua voz” e o seu público-alvo, é hora de pensar em quais redes sociais vai atuar. Nesse momento, é importante saber um pouco sobre as características de cada uma.
Instagram: é melhor para negócios que são visuais. Ou seja, dá para explorar fotos e vídeos para venda direta e também para construção de marca.
TikTok: “plataforma de vídeo que possibilita rápido crescimento de audiência, tem grande capacidade de viralização e é voltado a um público mais jovem que busca entretenimento, educação e humor”, explica Bruno Portela.
YouTube: plataforma que ajuda na construção de autoridade. “Serve como repositório de vídeos que, geralmente, são educacionais ou de análise de produtos, além de tutoriais”, diz Portela.
Facebook: de acordo com o professor da FDC, funciona bem pela segmentação, dos anúncios pagos dentro da própria plataforma ou em função dos grupos. Tem maior apelo com o público mais maduro.
Antes de ter um perfil em cada rede, Rafaela Lotto, da YOUPIX, sugere estudar o que outras pessoas andam fazendo nas mídias sociais nas quais você pretende trabalhar: “Não para copiar, obviamente, mas para se inspirar, inclusive para fazer diferente. Quando se tenta ser a cópia de algo ou alguém, a chance de demorar muito para engrenar ou não conseguir se sustentar a longo prazo é enorme. É preciso ser autêntico naquilo que quer falar”, argumenta. Para Lotto, como em qualquer negócio, é necessário pesquisar, entender o cenário e saber onde está entrando.
O conteúdo é rei
Essa célebre afirmação de Bill Gates nos anos 1990, continua fazendo sentido e é mais atual do que nunca quando se fala de monetização nas redes sociais. De novo, não existe uma receita que garanta o sucesso de um conteúdo. Porque isso é relativo: “há aqueles que geram engajamento e relevância e outros que entregam valor tendo a monetização como consequência”, diz Bruno Portela.
Cada vez mais, de acordo com Portela, fala-se de produção de conteúdo estratégico para gerar atração, engajamento e, consequentemente, conversão – que, por sua vez, pode gerar dinheiro.
Para Lotto, vale menos pensar em conteúdos que funcionam, e mais naqueles que funcionam para você: “O que funciona depende de como você vai criar conteúdo e da audiência que vai recebê-lo”, acredita.
Ao refletir de forma genérica sobre onde trabalhar conteúdos para chegar à monetização, Lotto sugere começar pelo Instagram. “Acho que todo mundo precisar estar lá, seja um criador de conteúdo, uma empresa, uma marca. Depois, partir para outras, porque é melhor não ficar restrito a uma rede só”, diz.
Independentemente da rede social, é fundamental planejar a produção de conteúdo e as postagens – encarando isso como um negócio mesmo. O estudo “Vem Aí na Creator Economy 2025”, da YOUPIX, destaca que “a era do improviso deve ceder espaço para uma atuação especializada, que demanda mensuração precisa, gestão estruturada e repertório técnico”. Se antes o “mais ou menos” era aceitável, a tendência é buscar a profissionalização para sustentar o futuro do ecossistema de criadores de conteúdo.
A partir dessa reflexão, quem quer ganhar dinheiro nas redes pode planejar seu início (ou reinício) considerando essa questão. A seguir, veja quantas possibilidades esperam os creators.
Formas de monetizar conteúdos nas redes sociais
No Instagram: dá para fazer parcerias com marcas, promovendo produtos ou serviços em troca de pagamento. Também é possível criar posts, “Stories” ou “Reels” patrocinados. Ter uma loja online e vender pelo Instagram Shopping, assim como participar de programas de marketing de afiliados (o influencer promove vendas por meio de um código ou link rastreável e é remunerado por comissão) também são formas de monetizar.
No Facebook: acoplar anúncios aos seus vídeos é uma das formas de ganhar dinheiro nessa rede. Vender assinaturas para a sua página também – neste caso, os assinantes têm acesso a conteúdos exclusivos, descontos e outras vantagens. Monetizar por meio do engajamento dos fãs também gera renda. As chamadas “Estrelas” permitem, além das assinaturas, pagamento quando alguém gostar dos vídeos ao vivo ou seguir os “Reels”: a rede paga por cliques no ícone da estrela. Ainda dá para vender produtos no “Facebook Marketplace”, criar loja na rede e fazer parceria com marcas.
No TikTok: cumprir missões diárias que valem pontos (que depois podem ser trocados por dinheiro); fazer lives e ganhar “moedas da rede” com base no tempo de transmissão e nos “presentes” enviados pela audiência e que podem ser convertidos em reais; participar do programa de afiliados (a exemplo do que acontece no Instagram), além de parcerias e patrocínios de marcas são algumas das formas de monetizar.
No YouTube: a remuneração por clique é uma das maneiras de ganhar dinheiro nessa rede. Adicionar anúncios aos seus vídeos, inclusive, aos “Shorts”, é outra. Ainda dá para ativar os clubes dos canais, onde a audiência pode fazer pagamentos mensais para ter acesso a benefícios exclusivos, como emojis e outros produtos. No Shopping, você pode conectar a própria loja ao YouTube e mostrar os produtos enquanto ganha dinheiro. E com o “Super Chat” e o “Super Stickers”, os fãs pagam para destacar uma mensagem ou uma imagem no chat ao vivo. Já com o “Valeu Demais”, o influenciador ganha dinheiro com o agradecimento extra de quem assistir ao conteúdo postado. Também é possível atuar com links para afiliados e fazer parcerias e publicidade com marcas.
É importante saber que cada rede tem regras próprias – sobre audiência, volume de postagem e outros detalhes – para viabilizar a monetização.
Em comum, de novo, vale notar que ter conteúdo relevante e, consequentemente, uma audiência engajada, é o começo de tudo.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios