Micropensão: saiba como começar a investir a partir de R$ 50 para o futuro
Planejar a aposentadoria envolve dúvidas sobre a idade para parar de trabalhar, o valor do benefício do INSS e a necessidade de contar com uma renda extra no futuro. Nesse cenário, as micropensões aparecem como uma alternativa de previdência complementar que permite acumular recursos por meio de contribuições de baixo valor.
O modelo é voltado principalmente a trabalhadores informais, autônomos e profissionais de plataformas digitais. A proposta é permitir que essas pessoas formem uma reserva para a aposentadoria com aportes ajustados à própria capacidade financeira, tanto em valor quanto em frequência.
As micropensões já podem ser contratadas em planos de previdência privada aberta.
Nos planos de previdência fechada, esse tipo de investimento ainda não está disponível. A Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) defende alterações na legislação para permitir que os fundos fechados também ofereçam produtos com essas características.
A formação da reserva ocorre ao longo do tempo, por meio dos aportes realizados pelo participante e dos rendimentos obtidos durante o período de acumulação.
Simulações da Icatu Seguros mostram como contribuições mensais de baixo valor podem resultar em uma reserva maior ao longo de décadas. Em um dos cenários, foram considerados aportes fixos de R$ 50 por mês a partir dos 18 anos, com início do recebimento da renda aos 65 anos.
A projeção considera rentabilidade anual de 8% e juros reais de 5% durante a fase de acumulação, período em que o investidor realiza as contribuições. Após 47 anos, o saldo acumulado chegaria a R$ 281.565.
Com esse montante, seria possível receber uma renda mensal de R$ 1.492 durante 30 anos, antes dos impostos, conforme a simulação.
Outro estudo, realizado pela Tivio Capital, estima que contribuições mensais de R$ 50 ou R$ 200 poderiam atender a cerca de 38,5 milhões de trabalhadores brasileiros, incluindo motoristas de aplicativos, entregadores e outros profissionais da economia informal.
No cenário analisado pela Tivio Capital, contribuições de R$ 50 mensais durante 30 anos, com retorno real de 4% ao ano, resultariam em uma reserva de aproximadamente R$ 34,3 mil.
Esse valor permitiria obter uma renda mensal estimada em R$ 206 durante 20 anos, em valores de hoje. A quantia equivale a cerca de 13% do salário mínimo de 2026.
Já para quem contribuísse com R$ 200 por mês, a renda projetada seria próxima de metade de um salário mínimo.
As projeções ilustram como o valor das contribuições e o tempo de acumulação influenciam a renda complementar. Os resultados, porém, dependem das premissas utilizadas em cada simulação.
Para Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp, a inclusão previdenciária precisa considerar a realidade de quem tem menor capacidade de poupança.
Segundo ele, o acesso à previdência complementar não deve depender de o trabalhador conseguir reservar R$ 200, R$ 300 ou R$ 500 por mês. A proposta é permitir o início com contribuições de R$ 50 ou até menos, com possibilidade de aumentar os valores conforme a situação financeira melhorar.
Silva também destaca a importância de evitar que os custos impeçam a entrada e a permanência desses trabalhadores no sistema.
Sandro Bonfim, presidente da Comissão de Produtos por Sobrevivência da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), afirma que o mercado de previdência tem registrado crescimento consistente. De acordo com ele, o ganho de escala permite que o setor pratique taxas menores, contribuindo para melhorar a rentabilidade dos investidores.
A preocupação com a renda na aposentadoria também aparece em uma pesquisa nacional realizada pela Icatu Seguros em parceria com a Conversion. Segundo o levantamento, 92% dos entrevistados acreditam que a Previdência Social não será suficiente para garantir estabilidade financeira no futuro.
Apesar dessa percepção, 62% afirmam não ter previdência privada.
Os dados reforçam o debate sobre alternativas de previdência complementar, especialmente para trabalhadores que dependem principalmente do INSS e têm menos recursos disponíveis para poupar. Nesse contexto, as micropensões são apresentadas como uma possibilidade de iniciar a formação de uma reserva com contribuições menores.
Com informações Estadão Conteúdo
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Publicado por
Jornalista
Fonte: Lívia Macario